Uma decisão judicial voltou a colocar em pauta a atuação do cirurgião-dentista em harmonização orofacial e em procedimentos com toxina botulínica. E, como costuma acontecer nesses casos, a informação chegou às redes sociais antes de chegar com clareza aos profissionais.
Vamos começar pela parte que interessa a quem tem agenda cheia para a próxima semana.
1. Neste momento, a sua rotina não muda
Essa é a primeira informação, e ela precisa ser dita com todas as letras: a decisão, neste momento, não altera a rotina do consultório.
O problema não é o hoje. O problema é o que essa discussão pode se tornar se a classe não se mover com velocidade, organização e articulação.
Enquanto o assunto circula sem contexto, já existe gente divulgando que o cirurgião-dentista está proibido de fazer toxina, proibido de fazer harmonização. Isso não é verdade, e esse tipo de ruído gera polêmica, insegurança no paciente e desgaste entre profissionais. Inclusive para os médicos.
2. A competência do cirurgião-dentista não está em discussão
Do ponto de vista técnico e científico, contestar a habilidade do cirurgião-dentista sobre a região de cabeça e pescoço não se sustenta.
A Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial é especialidade consagrada há décadas. É o buco-maxilo que está no plantão de emergência tratando trauma de face, muitas vezes sem receber por isso. Questionar essa formação é desconhecer a Odontologia.
Mas o argumento clínico vai além da habilidade manual.
3. Função e estética facial não dependem apenas de pele
Dependem também de osso e de dente.
No Congresso Index de 2023, palestrei exatamente sobre isso, mostrando um erro que médicos e dentistas cometem com frequência: preencher a face com excesso de preenchedor para repor um volume que, na origem, é outra coisa. É perda de dimensão vertical de oclusão. É perda de altura óssea. É perda dentária.
A face humana tem múltiplas camadas, e são todas elas, em conjunto, que entregam função e estética. É por isso que não faz sentido dizer que “dermatologista pode isso, dentista pode aquilo”. A complexidade da face não permite essa divisão.
Devolver função e estética ao paciente exige que todos trabalhem juntos.
4. Então, o que está realmente em jogo?
Articulação jurídica, espaço de influência e proteção de mercado.
E é aí que entra o ponto que mais me incomoda: a mentalidade de escassez.
Eu trabalho com médicos. Já trabalhei com muitos médicos. Tenho pacientes médicos em harmonização facial e em tratamento do sono. E afirmo com tranquilidade: existe paciente para todo mundo. Existe demanda para todo mundo.
Se toda essa energia e todo esse investimento fossem direcionados para elevar o padrão de comunicação com o paciente e incentivar mais pessoas a cuidarem da estética e da função facial, o mercado inteiro cresceria. Médicos e dentistas. E o paciente ficaria mais seguro para tratar, com qualquer um dos dois.
Dividir a classe para criar polêmica não expande mercado. Encolhe.
5. O que precisa acontecer agora
O que me preocupou nesse processo não foi o mérito, foi a sustentação.
A nossa classe precisa de representação jurídica preparada, de movimento intencional e de união. Não adianta cada profissional reclamar isoladamente no story enquanto a articulação acontece em outro lugar.
Por isso, vou promover um debate público de esclarecimento com autoridades que dominam esse tema, para que possamos nos organizar como classe e cobrar do nosso conselho uma atuação mais estratégica na proteção da nossa especialidade.
📅 Terça-feira, 25 de agosto, às 19h
O link para acompanhar ao vivo será enviado exclusivamente na comunidade SALA VIP, no WhatsApp.
6. Como você pode ajudar hoje
Assista ao vídeo completo, deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com os colegas. Quanto mais cirurgiões-dentistas estiverem presentes na terça-feira, mais força terá o próximo passo.
👉 Assistir e compartilhar o vídeo no Instagram
Ainda dá tempo de recuperar esse espaço. Mas não podemos deixar avançar nem mais um passo.
Nos vemos na terça, às 19h.
Drª Marina Lara 💙❤️